segunda-feira, 6 de julho de 2009
domingo, 19 de abril de 2009
Confissão.
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"(...) e quando chega essa hora da noite eu me desencanto. Viro outra vez aquilo que sou todo dia: fechada, sozinha, perdida no meu quarto, longe da roda e de tudo: uma criança assustada."
Caio Fernando Abreu.
***
Confesso que não sei em que esquina perdi minha inspiração. Não sei se foi naquela em que demos nosso último abraço... Ou na qual eu fui para chorar pela última vez enquanto lembrava de ti. Pode ter sido também ao trancar a porta. Ou num banho demorado em que mais uma vez lembrei de você. De nós. Do que éramos juntos. Ela pode ter escorrido junto às
lágrimas pelo ralo.
O fato é que a perdi. Desde que passei a perceber o silêncio dentro da casa e, mais especificamente, dentro de mim, a perdi. E, ao perdê-la, confesso que também me perdi. Perdi o ânimo, a vontade para preencher o vazio. Ficou só a falta. E ela ocupa um espaço pequeno agora. Ficou outro grande espaço ainda a ser preenchido. Só não sei com o quê.
Confesso que ando atenta. Não tenho mais aquele jeito distraído de quando você estava por perto. Ando ouvindo o sussurro do vento, o barulho dos carros, mas não ouço mais
passarinhos. Nem vejo as borboletas amarelas no jardim.
Confesso que precisava acabar. Mas que não sabia que ia sobrar tanto vazio. Vazio esse que não sei se quero preencher novamente.
É... confesso que não sei em que esquina perdi minha inspiração. Ou quando me perdi.(Foto por: desconheço o autor. Banco de imagens do Google.)
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Amor requentado.
Ele tinha que passar em casa para pegar os relatórios que precisavam ser entregues com urgência. Aproveitei e fui buscar meu casaco. O dia tava frio e dentro do carro, o clima tava mais gelado que o vento russo no inverno.
Ele abriu a porta do apartamento. A gente tinha esquecido de fechar a janela, percebi. Estávamos em silêncio - assim como ficamos durante todo o caminho. Quando me preparava para subir na mureta e alcançar a cortina que havia prendido por causa do vento, meio que de supetão, olho para ele. Ele também estava me olhando. E, de repente, a gente deu um abraço daqueles que não acabam nunca, sabe? Aquele que, de tão ternos, abraçam até nossa alma.
Ficamos naquele abraço por um bom tempo. Daí, foi impossível resistir. O cheiro dele é muito bom. Os carinhos começaram e não pudemos evitar. Era para ser uma passadinha rápida... Perdemos a tarde inteira.
Engraçado... A gente sente quando momentos decisivos aparecem. Quando a monotonia toma conta do ambiente. E dos corações. Por mais que a gente soubesse que não dava mais pra continuar daquele jeito, vuma abraço que faz as pernas tremerem.
No dia seguinte, conversamos. Foi uma conversa difícil. As lágrimas caíam do meu rosto. As dele também insistiam em cair. Ele tinha uma viagem de trabalho. Iria se prolongar por lá até que a cabeça colocasse em ordem tudo o que estava acontecendo. E eu também tentei pôr as idéias no lugar. Mas já não dava mais.
Nada pior que o amor requentado. Amor de rotina. Amor de comercial de margarina. Onde nada incomoda e o mundo é perfeito. Amor precisa de graça e também de raiva. Os contos-de-fada enjoam. E fica tudo empoeirado. Como o chão em casa abandonada...
1. Ao receber o selo, listar 7 coisas que te fazem sorrir.
2. Indicar o selo a 7 blogs que fazem você sorrir.
3. Informar aos blogs indicados que eles receberam o selo.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Pedidos...

Estavam os dois na cama. Já passava das três e eles ainda sem sono. Ele deitou sobre seu colo. Ela sorri.
- Você vai dormir assim?- perguntou ela entre um sorriso cheio de ternura.
- Sim. Tá te incomodando? - diz ele com uma cara confusa.
- Não. De modo algum. Só que você tem ensaio amanhã. Vai acordar com uma baita dor na coluna.
Marcelo deu de ombros. Só queria o aconchego do colo dela. De repente, lança um olhar e sorri.
- Que foi? - pergunta ela, curiosa.
- Nada. Só estava lembrando de nós.
- De nós?
- Sim. De como éramos no início. Mãos dadas, cafunés...
- E não somos mais assim? - Interrompe Sofia.
- Somos. E acredito que melhores. - Ele sorri mais uma vez.
- Sofia?
- Sim?
- Casa comigo?
Ela olha para ele, surpresa. Sem saber o que dizer. Percebendo a hesitação, ele diz:
- Não precisa dizer nada agora. Eu sei que você não é fã de casamentos. Mas bem que você poderia se mudar para cá. Ou eu me mudo pro seu apartamento.
- Celo – era assim que ela o chamava-, eu acho nossa vida tão boa...
- Eu sei, mas, para mim, ainda não tá completa.
Ela entristece os olhos. Percebendo a preocupação de Sofia, Marcelo diz:
- Deixa pra lá. Besteira a minha. Somo felizes assim. Muito! Sério... Esquece!
- Seu bobo... Eu te amo, sabia?
Ele responde, sarcasticamente:
- Sabia! Claro que sabia! E saiba que também amo você.
Ele volta a deitar a cabeça na altura dos ombros dela, encostando o rosto em seu pescoço.
- Celo, faz a barba!
- Agora? - ele levanta a sobrancelha.
- Não, né, bobinho?Amanhã. Aliás, pelo adiantar da hora, mais tarde.
- É. Devíamos mesmo dormir.
Ela beija a testa dele. O casal emudece. Ele já estava quase cochilando quando ela o chacoalhou, dizendo baixinho em seu ouvido:
- Eu caso.
Ele olha, cheio de alegria.
- Casa?
Ela balança a cabeça em afirmação e diz:
- Mas só se você comprar uma cama mais confortável!
Os dois caem na gargalhada. O ambiente fica terno agora. E envoltos nessa ternura, pegam no sono.
sábado, 17 de janeiro de 2009
Das coisas sobre mim...
"Fiz fantasias. No meu demente exercício para pisar no real, finjo que não fantasio. E fantasio, fantasio".Caio Fernando Abreu.
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Eu sou, quem sabe, uma crônica do Caio, um trecho de Drummond ou uma frase de Gullar. Posso ser também uma revistinha de colorir ainda intacta. Lótus seca na água congelada. Ou aquela bebida refrescante num dia quente de verão.
Posso ser astronauta ou ouvinte. Posso querer te contar como foi meu dia ou apenas esperar por um colo. Posso até guardar segredos se quiseres... Cerro os dentes se acuada, feito bicho feroz. Entretanto, também carrego a lealdade de um cão.
Às vezes faço questão de me esconder. Quem não faz, já que se mostrar por inteiro poder ser um problema? Além de acabar com o mistério... Aos poucos, deixo umas dicas aqui, outras acolá... mas apenas em doses homeopáticas.
Pode vir, eu te ouço. Apesar de meio surda, presto atenção. Ou finjo, pelo menos, para que os outros não se sintam menores. Esqueço das coisas grandes facilmente. Porém, certos detalhes não costumam passar despercebidos. E eu os guardo para sempre. Não espere que eu me lembre de você na rua. Além de míope e avoada, só lembro dos que me chamaram atenção. Seja por qualquer motivo. Se não lembrar de ti, não leve para o lado ruim: não me ganhou, contudo também não me irritou. Me irritar realmente costuma demorar também. Não é que eu seja paciente, só tenho o poder de abstrair o que não me convém. E ando muito mais tolerante, ultimamente.
Provavelmente, irás me encontrar sonolenta pelos cantos. Minha preguiça também faz parte da minha essência. E dela também não abro mão. Não se irrite se usá-la como desculpa.
Não gosto de muito barulho, apesar de só ouvir música bem alta. Algo que amo - um bom e velho jazz sempre faz o caos ir embora.
Não tenho muitos amigos. Conheço muita gente, é verdade. Mas são pouco os que quero manter comigo. Muita gente é lembrança do que passou. Deixando saudade ou não. Não faço questão de novas amizades. As que tenho já me bastam e me fazem muito feliz.
Ainda procuro por muita coisa em minha vida. Não quero que ela seja tão pequena que dê para guardar em apenas um discurso. Quero que ela ainda possa escrever muitas crônicas.
Queria saber voar, mas como me faltam asas, pretendo me atirar de muitas alturas ainda. Não por causa da adrenalina, mas pela sensação de liberdade.
E como disse Caio: "Continuo a pensar que quando tudo parece sem saída, sempre se pode cantar. Por essa razão escrevo."
E escrevo, escrevo, escrevo... até que as linhas me calem a dor ou diminuam o êxtase da alegria.





