quarta-feira, 26 de março de 2008

Sensações.

Desconheço o autor. Banco de imagens do Google.

Tratam-se das cores e dos sons. Melodia calma na vitrola e sentindo as cores que surgem no dia. Perde-se entre lápis-de-cor e tintas guache num projeto que nem devia ser dela. Há muito tempo não se sentia apta a desenhar. Há anos não sabia mais o que era pegar em um lápis e simplesmente deixar transcorrer pelo papel... Uma dedicatória na agenda, que falava do cheiro de lavanda cítrica que trazia pela manhã junto a seus desenhos de borboletas, a lembrou disso. E do que isso fazia com o que sentia na alma.
Tratava-se de sonhos. Os mais honestos possíveis, uma vez que os trazia desde criança, quando ainda possuía a inocência no olhar e não sentia vergonha ou medo de sentir. Apenas o fazia.
Hoje, ressuscitou todos os sentimentos que só seus projetos, que não costumavam ser planejados e mesmo assim costumavam dar certo, conseguiam trazer, fazendo-a sorrir um riso sincero que há tempos não dava. Fez renascer a sensibilidade perdida e que se tornara estranha aos olhos dos outros. Foi mais uma vez imatura em sua essência. E abandonou todo o peso do mundo que costumava carregar nas costas... E alguns dizem que ela apenas pintou um quadro.
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Mayara, agradeço por ter ficado por dois anos com minha agenda em sua posse. O retorno dela reavivou meu gosto pelas cores.
E a Daniela, agradeço por me ajudar a pintar de tons pastéis o que estava em sombras nessse texto.

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sábado, 22 de março de 2008

(Im)Perfeitos um para o outro.

Ele é tão bossa nova, ela é demasiadamente rock‘n roll. Ela lê romance e ele livros de terror. Ela é extremamente fria. Ele, em silêncio, sente tudo ao seu redor. Ela cor, ele tons pastéis. Ele gostava de sua barba. Ela o acusava de comodismo. Ela usava esmalte vermelho. Ele preferia quando ela as pintava com cores claras. Enquanto ele queria o sol, ela sempre queria a lua.

Conheceram-se na entrada do cinema. Ela nem sabia o que fazia ali. Havia sido levada pelas amigas que insistiam em ver o festival estrangeiro. Ele sabia perfeitamente. Entreolharam-se. Sorriram. E daí começou o romance.


Quem daria o próximo passo? Ela bancaria a mocinha ousada ou ele o cavaleiro de armaduras? Nem uma coisa, nem outra. As coisas aconteceram naturalmente. Comentários após o filme. Estranho encontro num boteco da esquina. Impossível negar a sintonia de caminhos.

Viviam brigando ele e ela. Sempre pelas mesmas razões. Discutiam política, arte, religião e futebol. Era ela quem deixava as toalhas molhadas pela cama, entretanto, ele perdoava desde que houvesse o tão famoso café-da-manhã. E dentre tantos fatos acontecidos, combinavam em uma coisa: adoravam andar de mãos dadas. Mesmo tão diferentes, viviam agarradinhos. Por que seria? A explicação... Bem, em outra coisa acertaram. Sabiam que a graça das coisas está na sua perfeita imperfeição.

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sábado, 8 de março de 2008

Depende do que você se deixa sentir.

Direitos da foto: Hugo Galindo - http://www.flickr.com/photos/hugomoco/2202204564/
Divido a eternidade entre o tempo em que queria muito e o justo momento em que encontrei. Entre quando olhava e quando recebi o primeiro olhar em retribuição. Entre descobrir que fantasiar pode ser muito bom, entretanto, viver é bem melhor. E entre a beleza de um luar e a simplicidade de um amanhecer.
Eternidade, na verdade, é o momento de começar e o início do prazer. Supor ser feliz, ter sorrisos e lágrimas, juntos assim. Amizade. Encontros e reencontros. Música de ninar e balanços de chocalhos. Se partir em Chico e Vinicius. Ou então misturar os dois. Eternidade, meus caros, é o que se quer fazer com ela: resumi-la somente a uma palavra ou a um pretexto para que o tédio invada a alma.

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segunda-feira, 3 de março de 2008

Brincadeiras com o tempo...

Foto por: Breno Peck - http://www.flickr.com/photos/brenopeck/304645101/

Se eu queria adiantar o tempo? Definitivamente não. Eu voltaria e o faria parar em alguns instantes só para vivê-los mais um pouquinho. Aqueles momentos nostálgicos guardados no fundinho da memória, os quais a gente acha que já nem lembra mais - mas que podemos descrever cada detalhe, cada segundo, cada suspiro.
Minhas experiências me parecem hoje tão breves. Saudosismo bate. E, às vezes, é bom ter saudade. Ela ajuda nos momentos em que nos achamos nada.
- Uma música, papel de bala ou o velho diário da infância auxiliam-me na busca de quem sou e do que sinto, pois ainda não sei. E não estou certa de querê-lo.
Porque ainda vejo graça em colecionar momentos. E vivê-los pela segunda, terceira, milionésima vez... Só enquanto respirar.

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