quinta-feira, 31 de julho de 2008

Recomeço.

FOTO POR: Desconheço o autor. Banco de imagens do yahoo.

Pegou tudo que tinha e colocou sacola. Engraçado como as coisas de uma vida inteira junto à alguém pareciam caber em apenas uma bolsa de mão. Como seria possível? Tudo que precisava para viver agora seriam somente alguns lápis, algumas folhas de papel, seus cds de bossa, livros e alguns recortes. Se cansou de tentar agradar. Agora era sua vez.
Parou. Deu uma última olhada no quarto e teve a ligeira certeza que saía tarde daquela relação que não levaria a lugar algum. Lembrou da conversa que tiveram quando chegaram. Das promessas, que, com o tempo, foram perdendo a validade. Da falta de tempo. Ele havia prometido cócegas quando ela ficasse chata ou com aquela maldita tpm. Prometeu sorvete na cama. Ela jurou sempre fazer cafunés. Há tempos que isso não ocorria.
No dia anterior, a conversa atingiu seu ponto máximo. Os dois sabiam que todo aquele amor carnal agora se transformava numa amizade e carinho imensos. E só. Somente os dois não queriam admitir. O que restava ainda era respeito. E eles sabiam que só isso não basta.
Balançou a cabeça e viu que tinha tomado, de fato, a atitude certa. Agora ela iria tentar retomar as rédeas de seus sonhos. Não se sentia mal por tê-lo conhecido. Ou por ter se envolvido. Muito menos, contrariando a todos, ter resolvido casar. Sabia que se não fosse por isso jamais ganharia coragem para realmente se entregar a alguma coisa.
Virou o rosto e foi de encontro à porta. Antes de sair deixou a carta que havia escrito na noite anterior:

“Querido, já sabíamos que alguém teria de fazer isso. Deixo a casa pra você. Afinal, quem gosta realmente desse cantinho é você. Eu gosto do que ele me faz lembrar. Deixo também o livro do Vinícius, vi o quanto você gostou dele.
Não se sinta mal. Não vou pra sempre. Qualquer dia eu apareço pra tomarmos aquela cerveja gelada na padaria e comentarmos como está a nossa tão calma vida atualmente. (Espero que você recupere a animação de alguns anos atrás. Quando essas cervejas eram mais comuns.)
Agradeço por você ter me dado essa coragem e por ter me feito acreditar que eu posso ser muito mais. Só você, meu anjo, seria capaz de me mostrar isso. Saiba que amo-te. De um jeito diferente agora. Muito mais espiritual. E acredito que amo muito mais agora.
Enfim, não sei mais o que escrever. Perdoa-me por sair assim sem me despedir como as pessoas normais fazem. É que fiquei com medo de fraquejar e acabar desistindo de prosseguir minha vida sem estar ao seu lado. O que se faz necessário agora.
Não se preocupa que eu ficarei bem. Cuide bem de você e se alimenta direitinho. Preciso terminar antes que desabe em lágrimas mais uma vez.

Prometendo estar mais sã quando voltar,
Rezando pra que você prossiga também,
Ana.”

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