domingo, 28 de setembro de 2008

Medo.

FOTO POR: Banco de imagens do Google.
Estavam os dois gritando na sala. Acusações sem sentido. Não era a primeira vez que discutiam pelos mesmos motivos... Cada um com sua razão. Será que estava tudo chegando ao fim? O que seria daquele casal que antes prometia tanto?
Coisas pelo chão e sempre fugas de assunto. Parecia que o mundo ia desabar de vez. Os dois diziam coisas que iam acabar se arrependendo depois, mas... e daí? O calor da discussão tornava tudo mais fácil de dizer. O que era verdade e o que não era. Acusações sem sentido tomavam conta do ambiente.
Como sempre, antes que perdesse a cabeça de vez, ele tentou sair porta afora. Dessa vez, ela não deixou. Ficou frente a ele e disse que não agüentava mais. Ou eles descobriam o que estava acontecendo ou era melhor sumirem de uma vez por todas. Acabarem logo com aquilo que um dia foi tão bonito e agora só parecia um quarto amontoado, cheio de pó e lençóis brancos cobrindo os móveis. Ele bateu o pé e disse que não era bem assim. Tropeçou nas palavras, ficou mais nervoso, baixou o tom. Os dois ficaram pensativos...
Agora uma tristeza enorme tomava conta da sala. Um sentimento de decepção misturado com incompetência. Eles que batalharam tanto para estarem juntos agora viam o seu futuro muito mais incerto. Será que ia realmente acabar? Cadê aquele fogo, aquele amor que subia pelas veias e não deixava que o ar entrasse? Onde estavam errando?
Dentre suas reflexões, o calor entrava no corpo dele novamente. Mais um grito ameaça sair pela garganta. Mas esse não saiu. Ganhou uma forma de braços estendidos e uma força enorme ao puxá-la para perto de seu corpo. Como se fosse realmente necessária... Não houve hesitação da parte dela. Aí estava... Aquele sentimento todo se encontrava ali. O mundo podia cair agora que eles não se importariam, viram porque eram intensos. Porque tudo se encontrava sempre no limite. Perceberam que o problema era mais a rotina e coisas externas do que a falta de amor. De paixão. De excitação.
Num impulso, ela se afastou. Perguntou, irritada, por que ele havia feito aquilo. Esperneou que aquilo não estava certo. Que eles tinham que se decidir. Era medo o que ela sentia. Medo de não dar certo mais uma vez. De continuarem sem sair do lugar. Ela sabia que não haviam mudado. Parecia estar convicta do fim. Parecia. Na verdade, tinha certeza de nada agora. E não sabia se queria continuar assim. Enquanto pensava em seus devaneios, gritava descontrolada com lágrimas nos olhos:
- Pra que isso? Por quê? Por que você sempre tenta me calar desse jeito, seu egoísta? É medo de ficar só? Medo que eu vá embora pra sempre? Diz! Diz!
E ele, que estava do outro lado da sala, sentiu corroer sua garganta um ruído abafado como se sentisse o ressentimento nas palavras dela. Percebeu o que estava fazendo com os dois. Entre sussurros, solta:
- Porquê eu não sei me entregar.
E grita:
-PORQUÊ AMO-TE, MAS TENHO MEDO! Medo de me perder. De não saber mais quem sou. De depender de ti. Sou egoísta, fraco, imaturo. Mas amo-te tanto que seria capaz de dar-te minha vida. Só que receio que você não aceite.
Agora era ela quem tropeçava no que dizia. Nunca o tinha visto agir dessa forma. Tão honesta. Tão pura. Tão genuína. E viu o que tinha mudado. Os dois se descobriram. E ele provou para ela que agora estava diferente. Mesmo com medo, se abriu. E isso já era prova suficiente. Mais lágrimas escorriam de sua face.
E num abraço apertado, acharam suas respostas...

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domingo, 7 de setembro de 2008

Solidão, medo e as dores mais íntimas que o amor - ou a falta dele - podem causar.

Foto por: Banco de imagens do Google

Amanhã de manhã vou tentar deixar toda essa inquietude longe. Deixar o vento bater na cara, prestar mais atenção ao que me cerca.

Ao invés de casar, comprarei uma bicicleta. Quem sabe a inspiração apareça.

E talvez Nietzsche pare de chorar...


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