quinta-feira, 18 de dezembro de 2008


Shh... Não precisa falar nada. Eu sei que você não tá bem. Você sabe que não está bem e que não está pronto pra falar. Vem cá. Deita aqui. Hoje te farei um cafuné e juntos tomaremos aquele chocolate quente antes que ele perca o prazo de validade. Agora você só vai relaxar. Folga a gravata e deita no meu colo. Só descansa a cabeça que ela deve estar pesada. E deixa que do resto do mundo eu cuido por ti, tá?

***


Eu te amo! Sussuro ao seu ouvido. Dorme que fecharei a porta pros problemas só hoje. Só por essa noite.



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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Tantas perguntas, um só sorriso.

Foto por: Desconheço o autor. Banco de imagens do Google.

Num bar, a meia luz, ela espera. Debate consigo por que havia escolhido aquele salto tão incômodo nesse momento. Qual a razão de tanto sacrifício? Um salto não faria com que a diferença de tamanho dos dois diminuísse muito. Qual o motivo de machucar seus pés naqueles sapatos? Charme? “Charme calçados”. Diz ela sem perceber que pensava alto agora.

A cada abertura de porta, a inclinação do rosto se tornava sufocante. “Ele não vem. Pra que essa espera?”. Agora observa suas meias. Tanta produção para ser deixada esperando. As meias pretas sob a saia esquentam e apertam. Seria melhor não fazer movimentos bruscos, pois elas poderiam rasgar a qualquer momento.

- Pra que tanta produção?- Ela se pergunta novamente.
Ele não mudara seu jeito de se vestir desde que começaram a sair. Continuava com a barba por fazer e os cabelos despenteados. Se ele não se importava, por que ela deveria? Por que deveria se sacrificar naqueles sapatos e meias apertados? Pra que comprar aquele perfume de notas florais que ela nem gostou tanto? E aquela maquiagem, se nunca se sentiu confortável pintando seu rosto, por mais discreta que fosse?

A porta do bar se abre novamente. Da tão cansativa a espera, hesitou em olhar. Acabou desistindo. Olha e enxerga uma cabecinha conhecida a sua procura. Ele encontra seus olhos. O coração dispara.

- Você tá linda. Diz ele entre um sorriso.
Ela sente as bochechas corarem e agradece a pouca iluminação do local. E agradece a si mesma pelo trabalho. Aquele sorriso fez tudo valer a pena. E com ele esqueceu seus dramas anteriores, pois ele havia gostado. E isso já bastava.

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