Foto por: Desconheço o autor. Banco de imagens do Google.
Num bar, a meia luz, ela espera. Debate consigo por que havia escolhido aquele salto tão incômodo nesse momento. Qual a razão de tanto sacrifício? Um salto não faria com que a diferença de tamanho dos dois diminuísse muito. Qual o motivo de machucar seus pés naqueles sapatos? Charme? “Charme calçados”. Diz ela sem perceber que pensava alto agora.
A cada abertura de porta, a inclinação do rosto se tornava sufocante. “Ele não vem. Pra que essa espera?”. Agora observa suas meias. Tanta produção para ser deixada esperando. As meias pretas sob a saia esquentam e apertam. Seria melhor não fazer movimentos bruscos, pois elas poderiam rasgar a qualquer momento.
- Pra que tanta produção?- Ela se pergunta novamente.
Ele não mudara seu jeito de se vestir desde que começaram a sair. Continuava com a barba por fazer e os cabelos despenteados. Se ele não se importava, por que ela deveria? Por que deveria se sacrificar naqueles sapatos e meias apertados? Pra que comprar aquele perfume de notas florais que ela nem gostou tanto? E aquela maquiagem, se nunca se sentiu confortável pintando seu rosto, por mais discreta que fosse?
A porta do bar se abre novamente. Da tão cansativa a espera, hesitou em olhar. Acabou desistindo. Olha e enxerga uma cabecinha conhecida a sua procura. Ele encontra seus olhos. O coração dispara.
- Você tá linda. Diz ele entre um sorriso.
Ela sente as bochechas corarem e agradece a pouca iluminação do local. E agradece a si mesma pelo trabalho. Aquele sorriso fez tudo valer a pena. E com ele esqueceu seus dramas anteriores, pois ele havia gostado. E isso já bastava.
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