"Fiz fantasias. No meu demente exercício para pisar no real, finjo que não fantasio. E fantasio, fantasio".Caio Fernando Abreu.
***
Eu sou, quem sabe, uma crônica do Caio, um trecho de Drummond ou uma frase de Gullar. Posso ser também uma revistinha de colorir ainda intacta. Lótus seca na água congelada. Ou aquela bebida refrescante num dia quente de verão.
Posso ser astronauta ou ouvinte. Posso querer te contar como foi meu dia ou apenas esperar por um colo. Posso até guardar segredos se quiseres... Cerro os dentes se acuada, feito bicho feroz. Entretanto, também carrego a lealdade de um cão.
Às vezes faço questão de me esconder. Quem não faz, já que se mostrar por inteiro poder ser um problema? Além de acabar com o mistério... Aos poucos, deixo umas dicas aqui, outras acolá... mas apenas em doses homeopáticas.
Pode vir, eu te ouço. Apesar de meio surda, presto atenção. Ou finjo, pelo menos, para que os outros não se sintam menores. Esqueço das coisas grandes facilmente. Porém, certos detalhes não costumam passar despercebidos. E eu os guardo para sempre. Não espere que eu me lembre de você na rua. Além de míope e avoada, só lembro dos que me chamaram atenção. Seja por qualquer motivo. Se não lembrar de ti, não leve para o lado ruim: não me ganhou, contudo também não me irritou. Me irritar realmente costuma demorar também. Não é que eu seja paciente, só tenho o poder de abstrair o que não me convém. E ando muito mais tolerante, ultimamente.
Provavelmente, irás me encontrar sonolenta pelos cantos. Minha preguiça também faz parte da minha essência. E dela também não abro mão. Não se irrite se usá-la como desculpa.
Não gosto de muito barulho, apesar de só ouvir música bem alta. Algo que amo - um bom e velho jazz sempre faz o caos ir embora.
Não tenho muitos amigos. Conheço muita gente, é verdade. Mas são pouco os que quero manter comigo. Muita gente é lembrança do que passou. Deixando saudade ou não. Não faço questão de novas amizades. As que tenho já me bastam e me fazem muito feliz.
Ainda procuro por muita coisa em minha vida. Não quero que ela seja tão pequena que dê para guardar em apenas um discurso. Quero que ela ainda possa escrever muitas crônicas.
Queria saber voar, mas como me faltam asas, pretendo me atirar de muitas alturas ainda. Não por causa da adrenalina, mas pela sensação de liberdade.
E como disse Caio: "Continuo a pensar que quando tudo parece sem saída, sempre se pode cantar. Por essa razão escrevo."
E escrevo, escrevo, escrevo... até que as linhas me calem a dor ou diminuam o êxtase da alegria.



Adorei.!
ResponderExcluirComo você escreve bem, é singelo...É bom ler oq você escreve.
Gostei e vou acompanhar seu blog, continua escrevendo...Você é praticamente uma poeta.
até mais.
Adorei! Nunca mais passei por aqui, mas vc sabe bate aquela saudade de ler algo realmente bom e venho aqui.
ResponderExcluirAdoro o q vc escreve :****
xero Dra Ella
Obrigado pela visita ;)
ResponderExcluirOlá, minha querida
ResponderExcluirPrimeiramente um feliz 2009 cheio de luz e prosperidade. Eu sei que é meio atrasado, mas o que conta são os votos de felicidade.
Estou meio ausente, pois estou em Portugal e quase não tenho tido tempo de escrever.
Estou há um mês aqui e com muitas idéias e promessas à mim mesma. O ano de 2008 nao foi nada fácil pra mim, mas algo dentro de mim diz que 2009 vai ser diferente e eu acredito.
Hoje escrevi mais um texto no meu blog e vim aqui visitar o seu. Esse seu texto de hoje me bateu um arrepio. Parece que ele foi escrito pra mim, sabe?
Enfim... A-D-O-R-E-I.
Vou tentar ficar mais próxima dos textos que me fazem bem!
Bjs
Dizia Fernando Pesssoa "Não quero ser poeta; escrever é a forma como vivo a minha solidão." Belo texto o seu; coração sensível. Continue escrevendo.
ResponderExcluirAbraço,
R.Vinicius
MUTTO BOM SEU BLOG E TRABALHO VENHA VISITAR MEU BAÚ VALEU !
ResponderExcluir