quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Amor requentado.





O amor não se deve somente queimar,
mas também aquecer.
Goethe.


Eu estava pensando em terminar tudo aquela semana... A gente já não andava bem há muito tempo. Não dava mais pra adiar. Era uma tarde cheia, a gente havia brigado pela manhã e ela vinha me buscar no trabalho para almoçarmos. Ia ser tudo corrido, como sempre.

Ele tinha que passar em casa para pegar os relatórios que precisavam ser entregues com urgência. Aproveitei e fui buscar meu casaco. O dia tava frio e dentro do carro, o clima tava mais gelado que o vento russo no inverno.

Ele abriu a porta do apartamento. A gente tinha esquecido de fechar a janela, percebi. Estávamos em silêncio - assim como ficamos durante todo o caminho. Quando me preparava para subir na mureta e alcançar a cortina que havia prendido por causa do vento, meio que de supetão, olho para ele. Ele também estava me olhando. E, de repente, a gente deu um abraço daqueles que não acabam nunca, sabe? Aquele que, de tão ternos, abraçam até nossa alma.

Ficamos naquele abraço por um bom tempo. Daí, foi impossível resistir. O cheiro dele é muito bom. Os carinhos começaram e não pudemos evitar. Era para ser uma passadinha rápida... Perdemos a tarde inteira.

Engraçado... A gente sente quando momentos decisivos aparecem. Quando a monotonia toma conta do ambiente. E dos corações. Por mais que a gente soubesse que não dava mais pra continuar daquele jeito, vuma abraço que faz as pernas tremerem.

No dia seguinte, conversamos. Foi uma conversa difícil. As lágrimas caíam do meu rosto. As dele também insistiam em cair. Ele tinha uma viagem de trabalho. Iria se prolongar por lá até que a cabeça colocasse em ordem tudo o que estava acontecendo. E eu também tentei pôr as idéias no lugar. Mas já não dava mais.

Nada pior que o amor requentado. Amor de rotina. Amor de comercial de margarina. Onde nada incomoda e o mundo é perfeito. Amor precisa de graça e também de raiva. Os contos-de-fada enjoam. E fica tudo empoeirado. Como o chão em casa abandonada...
(Gostaria de agradecer os selos que ganhei da Mari. E respondê-los...
As regras deste selo são:
1. Ao receber o selo, listar 7 coisas que te fazem sorrir.
2. Indicar o selo a 7 blogs que fazem você sorrir.
3. Informar aos blogs indicados que eles receberam o selo.
7 coisas que me fazem sorrir:
1- Brincar com cachorro.
2- Uma tarde com meus amigos.
3- Conversas sem nenhum senso até altas horas.
4- Olhar minha fotos dos tempos de criança.
5-Olhar as agendas desses mesmos tempos.
6- Dias chuvosos em que se tem nada pra fazer.
7- Olhar o mar com uma bela lua no céu.
6 coisas, 6 links. O selo pede para descrever 6 coisas aleatórias sobre você e indicar 6 blogs!
1. Adoram me chamar de 'irritadinha', pois costumo ser bem direta. E isso, muitas vezes é confundido com mau humor.
2. Passo passar horas lendo, sem parar pra nada. O que às vezes tira a minha mãe do sério.
3. Tenho facilidade de abstrair o que não me agrada. Mesmo sendo teimosa, não tenho o hábito de ficar discutindo sobre um mesmo assunto.
4. As coisas me deixam entediada facilmente. Gosto do que me renova, do que me faz crescer.
5. Música pra mim tem que ser bem alta. E se for um bm jazz ou blues, melhor ainda. Sair dançando pela casa faz parte também.
6. Tenho dificuldade de mostrar o que eu tô realemente sentindo. Porém, com ajuda de alguns, estou trabalhando nisso.
Os links - os que eu colocar, será pros dois selos, tá?
Anna Palíndroma
Sabe De Uma Coisa?
Japonês em Braile
P. S.: As imagens devem estar aí do lado.)

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domingo, 8 de fevereiro de 2009

Pedidos...


Estavam os dois na cama. Já passava das três e eles ainda sem sono. Ele deitou sobre seu colo. Ela sorri.

- Você vai dormir assim?- perguntou ela entre um sorriso cheio de ternura.

- Sim. Tá te incomodando? - diz ele com uma cara confusa.

- Não. De modo algum. Só que você tem ensaio amanhã. Vai acordar com uma baita dor na coluna.

Marcelo deu de ombros. Só queria o aconchego do colo dela. De repente, lança um olhar e sorri.

- Que foi? - pergunta ela, curiosa.

- Nada. Só estava lembrando de nós.

- De nós?

- Sim. De como éramos no início. Mãos dadas, cafunés...

- E não somos mais assim? - Interrompe Sofia.

- Somos. E acredito que melhores. - Ele sorri mais uma vez.

- Sofia?

- Sim?

- Casa comigo?

Ela olha para ele, surpresa. Sem saber o que dizer. Percebendo a hesitação, ele diz:

- Não precisa dizer nada agora. Eu sei que você não é fã de casamentos. Mas bem que você poderia se mudar para cá. Ou eu me mudo pro seu apartamento.

- Celo – era assim que ela o chamava-, eu acho nossa vida tão boa...

- Eu sei, mas, para mim, ainda não tá completa.

Ela entristece os olhos. Percebendo a preocupação de Sofia, Marcelo diz:

- Deixa pra lá. Besteira a minha. Somo felizes assim. Muito! Sério... Esquece!

- Seu bobo... Eu te amo, sabia?

Ele responde, sarcasticamente:

- Sabia! Claro que sabia! E saiba que também amo você.

Ele volta a deitar a cabeça na altura dos ombros dela, encostando o rosto em seu pescoço.

- Celo, faz a barba!

- Agora? - ele levanta a sobrancelha.

- Não, né, bobinho?Amanhã. Aliás, pelo adiantar da hora, mais tarde.

- É. Devíamos mesmo dormir.

Ela beija a testa dele. O casal emudece. Ele já estava quase cochilando quando ela o chacoalhou, dizendo baixinho em seu ouvido:

- Eu caso.

Ele olha, cheio de alegria.

- Casa?

Ela balança a cabeça em afirmação e diz:

- Mas só se você comprar uma cama mais confortável!

Os dois caem na gargalhada. O ambiente fica terno agora. E envoltos nessa ternura, pegam no sono.

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